segunda-feira, 7 de agosto de 2017

NO BANCO DA PRAÇA


07/08/17

Gente apressada,
dia calmo, céu limpo,
dependência pública lotada,
espero minha carona.

Por longo tempo esperando,
 nada a fazer, apenas contemplo!
Quanta coisa estou deixando!
Pra estar atoa nunca acho tempo!

O pior de tudo é que eu estou gostando !
A natureza, temperatura amena,
Tudo está colaborando!
Aqui minha vida parece tão serena!

 Corremos demais!
Nos ocupamos demais!
Nunca ficamos atoa
Para contemplar o nada,

 Para sentir o tempo passar!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

ESPERA



27/07/17

Meu coração bate forte,
aguardo a esperada resposta!
Sim ou não? Pouco importa!
Já não ligo qual seja a proposta!

Amar a Deus sem reservas
é tudo o que agora desejo.
Amar o irmão e o inimigo,
nada mais neste mundo eu almejo.

O tapete que me tiraram
já forra o meu novo caminho.
Deus nele me espera sorrindo,
nunca nele estarei sozinho.

Que a chuva torrencie lá fora,
que a ventania sopre renhida!
Fico aqui dentro com Jesus
e Maria, minha mãe querida!


sexta-feira, 19 de maio de 2017

SAL E LUZ



19/05/2017

SAL E LUZ



Como a rosa se desfaz ao vento

assim meus sonhos se desfazem no ar...

Tudo que planejei sumiu no relento,

só me ficou o coração, para amar...



Ponho-me aqui, diante da Eucaristia, 

Olho para Jesus, nada lhe posso ofertar!

Todos os projetos que em mim havia

cada um deles eu vi desabar.





Agora me resta o doce conforto 

de saber-me amado por Deus,

curtir minha vida de eremita absorto, 



ser sal e luz, como diz Mateus.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

A PLANTINHA ISOLADA


21/04/2017

Chuva torrencial. Tarde molhada.
A plantinha, mirrada, sedenta,
Em local impróprio plantada.
Talvez o acaso, a sina agourenta.

Apesar da chuva, seca continuava.
Tudo ao redor encharcado.
“Como fui nascer aqui”? Perguntava.
E curvou-se sobre o talo mirrado.

Certa manhã, quase morta,
ouviu um barulho infernal.
Olhou pra cima, já toda torta,
Já não aguentava mais o seu mal.

Era uma frágil esperança!
Um buraco abriu-se no telhado,
Talvez fosse uma bonança!
Aquilo tudo estava abandonado!

O sol, finalmente, chegou nela!
Sorrindo, esparziu-se garrida!
À tarde, a chuva por sequela
Forçou-a a ficar toda florida!

Explodindo de felicidade
perfumou-se e a todo o lugar.
E é assim que o dono da herdade
A encontrou, ao retornar ao seu lar.

Abriu a porta e se extasiou
ao ver tão bonitas flores!
Com cuidado a replantou
como se fosse um de seus amores

Já no jardim, sempre a crescer,
ficou forte, bonita, contente.
Ninguém escolhe onde nascer!
Cada um do outro é diferente!

É assim com menores abandonados,
nascem ao léu, sem carinho,
tornam-se adultos frustrados,
se ninguém lhes conserta o caminho!

Se você nascesse como essa flor,
sem condições para bem crescer,
sem carinho, sem paz, sem amor,
Iria algum dia florescer?

Antes de criticarmos a sociedade
tiremos da mente o preconceito!
Um pouco mais de bondade,

tornaria o mundo perfeito!

terça-feira, 4 de abril de 2017

SETENTA E DOIS ANOS



02/04/2017
SETENTA E DOIS ANOS

Setenta e dois anos de vida,
não pensei chegar a tanto!
Mas apesar da luta renhida
ainda não fiquei santo!

Anos de trevas, outros de luz,
de nada posso reclamar!
Tive sempre a presença de Jesus,
e Maria a me consolar.

O lusco-fusco que vivo agora
me lembra que é tempo de esperar,
minh’ alma nem ri nem chora,
basta que eu possa sempre amar!

sexta-feira, 10 de março de 2017

APENAS POR UM MOMENTO, SENHOR!



10/03/2017

Apenas por um momento, Senhor,
quero permanecer ao vosso lado,
curtir plenamente o vosso amor,
esquecer o que tenho passado

Apenas por este momento de paz
quero esquecer minhas obrigações,
das lutas, do que sou ou não capaz,
de todos os pecados e omissões

Como o filho que busca o colo materno
e ali mesmo se deixa ficar
nas frias noites de inverno,
na ternura de seu lar.

Neste exato momento, Senhor,
não quero vos pedir perdão,
não quero nenhum favor,
não vou falar de nenhuma omissão.

Não vou mencionar o irmão,
nem vou falar de amor,
talvez noutra ocasião!
Simplesmente estou aqui, Senhor!

Deixai-me reclinar em vosso ombro
como o fez o Apóstolo São João,
deixar de lado qualquer assombro,
quero ouvir vosso coração!

Nenhuma palavra de meus lábios,
não precisa falar comigo!
Quero deixar de lado os sábios,
só quero agora o vosso abrigo!

São muitas cobranças, Senhor!
Muitas palavras, muitas obrigações!
Cansei de falar de amor,
de pregar contra as más ações!

Sem cobranças, sem nenhuma restrição,
cansado de tudo, quero me aconchegar.
Sentir o pulsar de vosso coração
           e, neste momento, apenas vos amar

A MANSÃO ASSOMBRADA



01/03/2017
(prosa versificada)

A mansão assombrada,
silente na escuridão da noite,
arrepia-se, abandonada,
com o vento frio, verdadeiro açoite.

Ali próximo, carro quebrado,
um homem aventura-se e entra.
Nada por perto. Lugar afastado.
Ele, pouca idade, talvez uns quarenta.

Uma chuva começa, torrencial.
Só os relâmpagos a iluminam.
Ele forra um velho sofá com jornal.
Dorme. Os perigos não o desatinam.

Meia-noite. Luz forte no armário.
Acordando assustado, o homem treme.
Ao longe, ouve um canário.
Naquela hora? Naquele lugar? Geme.

Tomando coragem, se aproxima.
Abre o armário iluminado.
Barras de ouro, um cartão em cima.
A luz se apaga no metal dourado.

Celular em punho, lê a nota:
“Este ouro é maldito,
pertenceu a um agiota.
Seu descanso só será bendito
Se o não usares como um idiota”.

Após dezenas de cochiladas
o dia afinal despontou.
Após muitas pedaladas
numa bike que ali encontrou
a auto mecânica foi encontrada.

Comprou a mansão assombrada
e um asilo ali instalou.
Custou-lhe quase nada!
Muito ainda lhe sobrou.
A mansão ex-assombrada

nunca mais incomodou.